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Engajamento no trabalho e na vida encerra ciclo de palestras do XVI Encontro Técnico de Gestão de Pessoas

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Publicado: 4 de setembro de 2026 - Última Alteração: 4 de setembro de 2026

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Professor Carlos Rosa, da UFT, trouxe reflexões sobre consumismo, relações humanas, excesso de informação e os desafios das organizações

Você sabia que o engajamento nasceu muito antes das redes sociais? Para encerrar o ciclo de palestras do XVI Encontro Técnico de Gestão de Pessoas dos Tribunais de Contas do Brasil, o psicanalista e professor Carlos Rosa, da Universidade Federal do Tocantins (UFT), conduziu a palestra “Formas de Engajamento no Trabalho e na Vida”.

A discussão trouxe reflexões sobre consumismo, relações humanas, excesso de informação, aceleração do tempo e os desafios para manter o engajamento tanto na vida pessoal quanto no ambiente de trabalho.

Segundo o professor, o engajamento é uma forma de investimento que existe muito antes das redes sociais e das curtidas. O conceito está relacionado ao nível de envolvimento, conexão emocional e comprometimento que uma pessoa estabelece com uma causa, empresa, trabalho ou conteúdo, assumindo uma dimensão muito mais ampla do que a participação nas plataformas digitais.

Ao longo da palestra, Carlos Rosa questionou a lógica de uma sociedade em que objetos, experiências e até relações parecem se tornar cada vez mais descartáveis. A partir de conceitos da Teoria Crítica, abordou a pseudoatividade, associada ao filósofo Theodor Adorno, que se refere a ações capazes de produzir uma sensação de participação, utilidade ou mudança, mas que nem sempre resultam em transformações efetivas.

Outro conceito apresentado foi o de Indústria Cultural, desenvolvido por Adorno e Max Horkheimer. A partir dele, o professor discutiu como a transformação da cultura em mercadoria e a lógica do consumo podem influenciar comportamentos, desejos e relações sociais.

Carlos Rosa também citou uma pesquisa da Meta Platforms sobre cerca de 20 milhões de pessoas que deixaram de usar o celular, chamando a atenção para a sensação de vazio que pode surgir diante do excesso de tempo dedicado às telas. A reflexão destacou que, embora os dispositivos ampliem as possibilidades de conexão, a experiência digital não substitui a profundidade das relações presenciais.

Para o professor, a tela é “plana” e pode limitar a conexão com o outro, assim como a construção de debates e experiências mais significativas.

Engajamento nas organizações

Ao trazer a discussão para a gestão de pessoas, Carlos Rosa chamou a atenção para a necessidade de evitar que a lógica do descarte e do utilitarismo também seja reproduzida nas relações de trabalho.

Nesse sentido, defendeu uma compreensão mais ampla sobre o significado do engajamento dentro das organizações, que não esteja restrita apenas aos resultados. “É ideal que haja uma mudança de perspectiva das pessoas, no sentido do engajamento, da facilitação da motivação, para que as pessoas não liguem apenas para o resultado e salários, mas para os processos e as pessoas dessa organização”, destacou Carlos Rosa.

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