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Saúde mental no controle externo é tema de palestra no XVI Encontro Técnico de Gestão de Pessoas

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Publicado: 3 de setembro de 2026 - Última Alteração: 3 de setembro de 2026

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Pesquisa aponta que, em mais de 90% dos casos, a instituição não percebe que o servidor está adoecido

A saúde mental no ambiente de trabalho foi tema de uma das palestras do XVI Encontro Técnico de Gestão de Pessoas dos Tribunais de Contas do Brasil. A diretora de Saúde e Assistência Social do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP), Fernanda Borges Keid, destacou aos participantes a importância de tratar do assunto dentro das instituições. Segundo ela, é impossível separar completamente o que o servidor vivencia dentro e fora do ambiente de trabalho.

Fernanda explicou que a identificação de um colega que esteja enfrentando problemas de saúde mental pode ocorrer a partir da observação de pequenos sinais, como mudanças nos padrões de comportamento, sono e até de alimentação.

Segundo ela, o silêncio diante do adoecimento pode transmitir a falsa ideia de que o servidor está sendo protegido, quando, na verdade, pode contribuir para agravar o problema. “Um problema que pode ser tratado institucionalmente se torna individual e mais difícil de ser tratado”, explicou.

Acompanhamento dentro das instituições

A palestrante ressaltou que as instituições deveriam contar com grupos voltados ao acompanhamento da saúde mental dos servidores e citou como exemplo o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP), onde foi criada a Brigada de Saúde Mental. O grupo é formado por servidores capacitados para identificar situações relacionadas à saúde mental, atuar na prevenção, acolher e realizar encaminhamentos, quando necessário.

Fernanda apresentou ainda dados de uma pesquisa realizada com Tribunais de Contas das cinco regiões do Brasil. O levantamento revelou que 89,6% dos servidores percebem que seus Tribunais pautam a saúde mental, embora nem todos procurem auxílio nos serviços oferecidos. Outros 6% afirmaram não perceber ações voltadas ao tema no ambiente de trabalho.

Ainda de acordo com a pesquisa, existe um índice de 91,5% de subnotificação, ou seja, situações em que a instituição não percebe o adoecimento do servidor.

A palestrante também citou algumas causas relacionadas ao adoecimento mental no ambiente de trabalho, entre elas o assédio moral, a cobrança excessiva por resultados e problemas de comunicação entre chefias e subordinados. Segundo os dados apresentados, apenas 8,5% procuram os canais formais para realizar denúncias.

“Liderar não significa ter todas as respostas, e não falar não significa que está sendo protegido”, finalizou.